Porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui a poucos dias… descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até os confins do mundo (At 1,5.8).
 
Caríssimos irmãos e irmãs, Graça e Paz!
O desejo do Pai é que sejamos pessoas sempre mais plenificadas, cheias, robustecidas do Espírito Santo, que é o próprio Amor que flui eternamente entre o Pai e o Filho! Isto porque somente cheios do Espírito Santo é que poderemos corresponder ao Seu projeto de amor para nossas vidas, para nossa existência, pois fomos criados para sermos santos e irrepreensíveis diante de Seus olhos, para servirmos à celebração de Sua glória (cf. Ef 1, 4.12). Encontramos este desejo expressado em inúmeras passagens do Antigo Testamento.
De igual modo, prestes a subir aos céus, Jesus vai reafirmar que seremos batizados no Espírito Santo, isto é, mergulhados Nele de modo que todas as nossas fibras interiores fiquem por Ele impregnadas, de forma que fiquemos totalmente preenchidos, tomados pelo Espírito Santo. Esta é a medida alta que Deus nos propõe, em vista do crescimento do nosso homem interior, do nosso renascimento espiritual (cf. Ef 3,16 e Jo 3,5). O batismo no Espírito Santo é, portanto, uma graça normativa para o cristão, um verdadeiro marco na vida cristã.
Nesse sentido, David Mangan, um dos jovens participantes do Retiro conhecido como “Fim de Semana de Duquesne”, que deu início à Corrente de Graça denominada Renovação Carismática Católica, define o batismo no Espírito Santo como sendo uma “dinamite” que implode o nosso interior e nos preenche totalmente do Amor de Deus, isto é, é uma experiência profundamente impactante da graça de Pentecostes que abala as nossas estruturas – não em nosso desfavor – e faz novas todas as coisas dentro de nós.
Após reafirmar a Promessa do Pai, Jesus como que explica por qual motivo precisamos estar sempre mais cheios do Espírito Santo: “descerá sobre vós o Espírito Santo e Ele vos dará força” (At 1, 8a). É que somente imbuídos da Força do Alto, da força sobrenatural que só o Espírito Santo pode nos dar é que poderemos ser santos como o Pai é Santo, vivendo assim plenamente a dignidade de filhos e filhas de Deus; poderemos viver como homens e mulheres salvos pelo Sangue Precioso de Nosso Senhor Jesus Cristo, renunciando ao pecado e buscando as coisas do Alto; poderemos carregar a cruz com amor, coragem, constância e esperança; poderemos amar os irmãos como convém aos cristãos; poderemos ser sal da terra e luz do mundo, evangelizando com desassombro e alegria; poderemos servir ao Senhor com os carismas que acompanham o Espírito Santo, doador de todos os dons.
Com efeito, o fruto desta Força do Alto agindo poderosamente em nossa vida é o testemunho: “e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins do mundo.” Não é sem propósito que o Senhor faz esta gradação geográfica: Jerusalém é a terra do aconchego, da intimidade; lá todos se sentiam em casa. Sermos testemunhas em Jerusalém é, hoje, testemunharmos em nossas casas, junto a nossos familiares, na Igreja Doméstica. Judeia já era a Província, isto é, um território mais amplo: talvez a nossa vizinhança, o ambiente de trabalho, o ônibus, trem ou metrô que utilizamos, o ponto de ônibus, nossos irmãos de comunidade, etc.. Depois o Senhor trata de algo mais desafiador, que é a Samaria. Judeus e Samaritanos eram desafetos. Isso significa que o Senhor nos envia a sermos testemunhas de amor até mesmo para os que em determinado momento porventura nos sejam “desafetos”, que nos tenham ofendido, magoado, maltratado, injustiçado, que não comunguem de nossa fé. E por fim, o Senhor nos envia a sermos testemunhas sempre, em todo lugar, fazendo de nossa vida um instrumento de louvor.  
Portanto, irmãos e irmãs, precisamos ser eternos pedintes! Peçamos, imploremos ao Senhor que derrame mais e mais do Espírito Santo sobre todos nós, sobre a Igreja de Cristo, sobre a RCC, sobre cada um de nossos Grupos de Oração, sobre toda a humanidade, pois se nós que somos maus sabemos dar boas coisas a nossos filhos, quanto mais nosso Pai Celestial dará o Espírito Santo aos que O pedirem (cf. Lc 11, 13).
Que Maria Santíssima, a Senhora de Pentecostes, garantidora da unidade em torno da Promessa de Jesus, interceda sempre por nós e por um Novo Pentecostes “que nos livre do cansaço, da indiferença, da acomodação ao ambiente” (cf. Doc. Aparecida, 362).
 
Veni Sancte Spiritus!
 
Vinícius Rodrigues Simões
Presidente do Conselho Nacional da RCCBRASIL

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